Nome científico:

Rhinechis scalaris (Schinz, 1822)

Nome comum:
Cobra riscadinha, cobra de escada
Família:
Colubridae

 

 

Cobra de grandes dimensões (até 160 cm de comprimento total), com um corpo longo e esguio e cauda relativamente curta. A cabeça é alongada, algo pequena, com um focinho pontiagudo (com escama rostral proeminente). Os olhos são castanho-escuros, com pupila redonda. As escamas dorsais lisas parecem muito lustrosas. O desenho dorsal dos adultos consiste em duas linhas longitudinais negras, paralelas entre si, que se estendem ao longo do corpo pardo-amarelado. Em contraste, o desenho dorsal negro dos juvenis faz lembrar os degraus (= manchas escuras segmentadas e espaçadas) de uma escada de corda (= duas listras longitudinais irregulares), que se estende pelo corpo amarelado.

 

Habitat/Ecologia

A sua preferência de habitat ajusta-se muito bem aos biótopos mediterrânicos: carvalhais abertos, pinhais, montados e todas as respetivas etapas de degradação. Em meios naturais e, especialmente, nas paisagens agrícolas, esta serpente refugia-se frequentemente nas galerias ribeirinhas, nas orlas de bosques, em sebes e nos muros. A sua predileção vai, no entanto, para locais secos, com boa exposição solar, abundância de arbustos e disponibilidade de pedras. De hábitos predominantemente diurnos, é uma cobra ágil e rápida, capaz de trepar às árvores em busca de sombra ou no encalço de ninhos de aves. No pico estival pode apresentar alguma atividade crepuscular ou mesmo noturna.

Período mais favorável à observação

À semelhança de outras cobras ibéricas, a sua atividade é reduzida durante o inverno e tem um pico na época de reprodução primaveril. Na Herdade da Mitra, esta serpente é observável durante o dia, a deambular pelos campos arvenses ou nas áreas agroflorestais de montado.

Curiosidades

Devido ao forte contraste, já referido, entre os desenhos dorsais do adulto e do juvenil, algumas pessoas leigas pensam que se trata de duas serpentes diferentes.

Esta cobra não venenosa é constritora – quando apanha uma presa maior enrola-se em torno dela, apertando fortemente a vítima até à morte. Depois engole lentamente a presa e fica dias a digerir a refeição.

 

Distribuição

Trata-se de um quase-endemismo ibérico, que atinge o Sul de França. Este ofídio é um dos mais amplamente distribuídos, tanto em Espanha como em Portugal, sobretudo abaixo dos 800 m de altitude.   

Estatuto de Conservação

Pouco Preocupante (LC) – IUCN