Nome científico:

Acanthodactylus erythrurus (Schinz, 1833)

Nome comum:
Sardaneta corredora de dedos espinhados
Família:
Lacertidae

 

 

Lacertídeo de corpo robusto, de tamanho moderado, pode alcançar 8 cm de comprimento desde o focinho à fenda da cloaca. A cauda longa (e tipicamente avermelhada nos juvenis e nas fêmeas em cio) pode ter mais do dobro da extensão do tronco corporal. Quando o animal corre a cauda tende a ficar elevada acima do nível do corpo como se tratasse de um chicote. Os dedos possuem unhas conspícuas. Especialmente os dedos das patas traseiras são bastante longos e mostram escamas subdigitais repuxadas e espinhosas que facilitam a locomoção na areia solta.

O desenho dorsal sardento mostra tipicamente um raiado, com listras claras e bandas escuras, muito contrastante nos juvenis. Porém, nos adultos essas listras claras ficam menos definidas e as bandas tornam-se menos escuras e mais marmoreadas, sobretudo nos machos. 

 

Habitat e Ecologia

É um lacertídeo extremamente veloz que procura imediatamente refúgio entre a vegetação, debaixo de grandes pedras ou enterrando-se na areia, quando se sente perseguido. Esta sardaneta mostra preferência por solos arenosos e paisagens mais áridas com a vegetação dispersa.

 

Período mais favorável à observação

Sáurio estritamente diurno, a sua época de atividade limita-se à primavera e ao verão, em dias ensolarados. É mais fácil de observar quando ele termorregula no solo, sobretudo pela manhã e pela tardinha. Quando o seu corpo está aquecido este lagarto torna-se num corredor veloz difícil de identificar durante as rápidas correrias que faz em direção à vegetação.

Na Herdade da Mitra foi há uns anos detetado nas bermas dos caminhos junto ao pinhal plantado. Na envolvente aparece nos pequenos planaltos colinosos acima do Castelo de Giraldo, perto de Valverde. 

 

Curiosidades

A cauda muito vermelha e as listras alternadas brancas e negras dos juvenis constituem um mecanismo de defesa desta sardaneta, face aos predadores alados: o padrão dorsal riscado disrupta a boa perceção visual dos contornos do corpo, enquanto a cauda vermelha foca a atenção do eventual predador para a única parte do corpo que o juvenil pode voluntariamente largar para escapar com vida ao ataque.

O nome latino Acanthodactylus  traduz-se nos 'dedos espinhosos' enquanto erythrurus significa literalmente 'cauda vermelha'.

 

Distribuição

Encontra-se no centro e sul da Península Ibérica e no Magrebe (ex. Marrocos e Argélia). O género Acanthodactylus tem uma origem biogeográfica nos desertos do Norte de África. As populações ibéricas estão presentes sobretudo nas zonas costeiras e nas grandes depressões terciárias interiores. Em Portugal continental a sua distribuição conhecida deve estar muito incompleta, sobretudo no interior sul do país (Ribatejo, Alentejo e Algarve), já que é na Beira Interior e no Alto Douro onde há registos mais consistentes.