Plantas

Resultado da pesquisa

Nome científico

Cistus monspeliensis L.

Nome comum
Sargaço
Nome comum
Sanganho
Nome comum
Silva
Nome científico

Serapias lingua L.

Nome comum
Erva-língua
Nome científico

Quercus suber L.

Nome comum
Sobreiro
Nome comum
Silindra

A atual vegetação da Herdade da Mitra é resultante da interação da sua história biogeográfica com os fatores ambientais atuais e passados (climáticos, geológicos, orográficos, litológicos, etc.) e com a influência humana. Todos estes fatores contribuíram para a formação de um mosaico de comunidades vegetais, por vezes bastante complexas, e foram determinantes para a riqueza florística da Mitra.

À semelhança de grande parte da Terra, a região da Mitra esteve sujeita, no passado, a grandes alterações do clima, um dos fatores ambientais com influência mais acentuada na vegetação. Há cerca de 15 milhões de anos, o clima da região área era mais quente e húmido do que o atual, sem estação seca. A vegetação que então predominava era a floresta subtropical perenifólia, designada Laurisilva, que incluía uma grande diversidade de plantas lenhosas perenifólias, com folhas grandes e largas, cobertas por uma película de cera.

A posterior ocorrência, há cerca de 6 a 5 milhões de anos, de um arrefecimento acompanhado por uma diminuição da precipitação, particularmente nos meses menos quentes, deu origem a um clima subtropical árido. Embora algumas espécies da Laurisilva, como o loureiro (Laurus nobilis), se tenham adaptado a estas novas condições ambientais, a maioria não conseguiu sobreviver ao rigor da secura que se começou a verificar. Em resultado desta alteração climática ocorreu uma migração da floresta tropical xerofítica (adaptada à secura) do norte de África para a Europa Mediterrânica. Aqui passaram, então, a dominar a paisagem espécies arbóreas e arbustivas esclerofilas (folhas perenes, duras e espessas), como a azinheira (Quercus rotundifolia), o sobreiro (Q. suber), o carrasco (Q. coccifera), o zambujeiro (Olea europaea var. sylvestris), a murta (Myrtus communis), a aroeira (Pistacia lentiscus), o sanguinho-das-sebes (Rhamnus alaternus) ou o loendro (Nerium oleander).

Mais recentemente, após as glaciações, o período de secura transferiu-se para os meses mais quentes, dando origem ao clima mediterrânico, caraterizado justamente por um período de secura estival prolongado. Muitas das espécies tropicais xerofíticas existentes na altura, já adaptadas a um período de secura, conseguiram sobreviver e algumas até se expandiram. A estas juntaram-se outras que terão surgido com o clima mediterrânico, como o alecrim (Rosmarinus officinalis), as estevas e os sargaços (Cistus spp.), as alfazemas (Lavandula spp.) ou os tomilhos (Thymus spp.).

A intervenção humana, uma constante na Bacia do Mediterrâneo, conduziu, por um lado, a uma diversificação dos ambientes e dos ecossistemas e, por outro, à medida que se tornou mais intensa, a uma destruição do coberto vegetal original – florestas mistas, com arbustos esclerófilos nos locais mais pobres e secos. Em sua substituição, surgiram os matos e os matagais de espécies esclerofilas e semi-caducifólias de verão. Para reduzir a perda de água no verão, as plantas mediterrânicas lenhosas apresentam diversas modificações, quer na forma, quer no funcionamento, especialmente ao nível das folhas. Entre estas adaptações, destacam-se as folhas perenes, pequenas e coriáceas, revestidas por cutículas espessas; folhas com um revestimento adicional de pelos, ceras, resinas ou óleos aromáticos; folhas reduzidas a espinhos; algumas espécies, ainda, reduzem consideravelmente a superfície transpirante, perdendo grande parte das folhas no final da primavera. 

Para além das plantas lenhosas, que são as que mais se destacam em termos paisagísticos, as herbáceas anuais constituem uma grande proporção do coberto vegetal e são o grupo de plantas mais diversificado. Entre estas, distinguem-se as gramíneas, as leguminosas e as compostas, que facilmente superam o calor e a secura do verão sob a forma de sementes, revestidas por cutículas impermeáveis e enterradas no solo. As espécies herbáceas vivazes, nomeadamente as bolbosas, que conseguem ultrapassar a estação desfavorável reduzindo-se aos órgãos subterrâneos, estão também muito bem representadas e apresentam grande diversidade na Herdade da Mitra.

Merecem ainda destaque as formações arbóreas caducifólias da zona ribeirinha, que bordejam as ribeiras da Mitra. Entre as espécies ripícolas destas formações, podem-se referir freixos (Fraxinus angustifolia), choupos (Populus nigra), salgueiros (Salix spp.) e amieiros (Alnus glutinosa). Nalgumas zonas das margens e do leito, com períodos de estiagem acentuados, surgem, entre outras, as tamargueiras (Tamarix africana).

Por último, em algumas áreas da Herdade, as plantas nativas têm sido substituídas por espécies introduzidas, quer em contexto agrícola, quer com intuito ornamental. As últimas, como a sempre-noiva (Spiraea cantoniensis) e a glicínia (Wisteria sinensis), encontram-se fundamentalmente nos jardins e nalgumas outras áreas da Herdade, designadamente nas envolventes das zonas edificadas. Embora algumas exóticas, como as acácias (Acacia spp.) se possam tornar invasoras, comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas e acarretando perda de biodiversidade, estes efeitos ainda não são notórios na Herdade da Mitra.

 

Bibliografia

Blondel J, Aronson J. (1999). Biology and Wildlife of the Mediterranean Region. Oxford University Press, Oxford.

 

Gonzalez GL. (1982). La Guia de Incafo de los Arboles y Arbustos de la Peninsula Iberica. Incafo S.A., Madrid.