Nome científico:

Lutra lutra (Linnaeus, 1758)

Nome comum:
Lontra
Família:
Mustelidae
Autóctone

 

 

Bem adaptado à vida semiaquática, de corpo fusiforme, pelagem curta, compacta e lustrosa que oculta uma camada interior de pelo igualmente curto e espesso, com função de impermeabilização.

Patas curtas, providas de membranas interdigitais. Cauda grande e larga na base, estreitando em direção à ponta com a função de orientar o movimento de natação; pode nadar até 8 horas ininterruptamente.

Cabeça grande e achatada com focinho estreito e orelhas pequenas que, estando ao mesmo nível dos olhos e nariz, permitem a natação com apenas uma pequena parte da cabeça fora de água. As vibrissas (pequenos pelos) do focinho, olhos e queixo são bem desenvolvidas para uma melhor perceção da localização das presas.

Coloração do corpo entre o cinzento e o castanho, com uma mancha mais clara ou branca que se pode estender do queixo ao ventre. É o maior mustelídeo de Portugal e mede entre 61 e 75 cm, com uma cauda grande (36 a 45 cm) e patas posteriores entre os 11 e os 13,5 cm.

Exibe dimorfismo sexual -  os machos são maiores e mais pesados, oscilando os adultos entre os 6 e os 10 kg. As lontras da Península Ibérica são mais pequenas do que as do centro e norte da Europa. 

Pegadas facilmente reconhecíveis devido à presença das membranas interdigitais e de garras fortes nos cinco dedos, não alinhados.  

Os excrementos escuros e viscosos aquando da sua deposição, aclararam com a passagem do tempo e servem para marcar o território; são depositados na orla dos cursos de água, em locais bem visíveis: pedras elevadas, montes de ervas, entre as raízes das árvores. 

 

Habitat e Ecologia

Ocupa zonas húmidas de água doce, podendo ocorrer em rios, ribeiras, pauis, lagoas, e albufeiras; também ocorre em ambientes salobros como os estuários ou, menos frequentemente, em ambientes de água salgada. Ocupa preferencialmente habitats ripícolas, que proporcionem um fácil acesso ao meio aquático, uma boa diversidade de refúgios e grande disponibilidade de alimento.

Fazem as tocas em covas na rocha ou, mais raramente, entre as raízes espessas de árvores. Muitas vezes a entrada para a toca encontra-se submersa sendo a mesma ventilada por uma abertura alternativa.

Apresentam hábitos noturnos e crepusculares, deslocam-se ao longo dos cursos de água num raio até 15 km para os machos e 7 a 10 km para as fêmeas com crias. São, geralmente, animais solitários, exceto na época de reprodução em que as progenitoras com crias podem formar grupos familiares.

Pode ser considerada um indicador biológico pela baixa tolerância a águas contaminadas e sem uma determinada quantidade de coberto vegetal, necessário à construção de abrigos e tocas .

Alimentam-se à base de presas com hábitos aquáticos (e.g. peixes e invertebrados) ou semiaquáticos (e.g. anfíbios) que são capturadas nos cursos de água e na sua envolvência.

 

Período mais favorável à observação

As lontras não têm parceiro fixo e a reprodução pode ocorrer ao longo de todo o ano, dependendo da disponibilidade de recursos. A época mais comum para a reprodução é a primavera pelo que é mais vulgar a observação desta espécie durante o verão, quando as crias começam a abandonar as tocas na companhia das progenitoras.

 

Distribuição

Residente. Presente na maior parte da Eurásia, Norte de África, Médio Oriente, Sri Lanka, uma parte da India e Indonésia. Ocupa toda a parte continental da Península Ibérica. Em meados do século XX observou-se um declínio acentuado das populações de lontra na Europa, devido ao excessivo nível de poluentes, atividades humanas e destruição de habitats ripícolas. Em Portugal, desde os anos 70 notou-se uma recuperação das populações de lontra, provavelmente relacionada com a introdução e expansão do lagostim-vermelho na maior parte do território nacional.